A admissão à Congregação da Missão constitui um momento de particular profundidade espiritual e carismática no itinerário vocacional vicentino. Por meio desse ato, a Congregação acolhe oficialmente aquele que, após um tempo de discernimento, manifesta o desejo de “seguir a Cristo, evangelizador dos pobres” (cf. Constituições, C. 1), e reconhece nele sinais de uma vocação que pode ser cultivada no seio da comunidade vicentina. Trata-se, portanto, de um momento significativo não apenas para o candidato, mas para toda a Congregação, que se compromete a acompanhar, sustentar e orientar esse caminho vocacional à luz do carisma recebido de São Vicente de Paulo.
A Congregação reconhece que “os pobres são os destinatários privilegiados da missão” (cf. C. 12) e que toda a formação deve preparar o candidato para esse serviço evangelizador. Assim, ser admitido significa assumir, de maneira mais explícita, o compromisso de deixar-se evangelizar pelos pobres e de servi-los com criatividade, disponibilidade e zelo apostólico. Sim, os pobres ensinam mais a nós do que nós a eles. De fato, São Vicente foi profundamente sábio ao afirmar que os pobres são nossos mestres e senhores. Como verdadeiros maestros da fé, vivem o Evangelho de maneira clara, simples e sem complicações. São professores formados na escola da vida, que transmitem, a partir de seu testemunho cristão, ensinamentos profundos de fé, esperança e amor, muitas vezes mais eloquentes do que longos discursos teóricos.
No dia 20 de janeiro, abertura do Seminário Interno do ano de 2026, durante a celebração da Santa Eucaristia, memória litúrgica de São Sebastião, mártir, presidida pelo Missionário Vicentino Padre Vandeir Barbosa, CM, Superior da Província Brasileira da Congregação da Missão, a homilia, proclamada pelo presidente da celebração, destacou a necessidade de compreendermos profundamente a espiritualidade vicentina e de aplicá-la em todas as nossas ações enquanto missionários. Ele ressaltou que não é possível exercer a missão sem ter como referência a razão fundamental de nossa vocação, que, antes de qualquer tarefa ou ofício, consiste em revestir-se do Espírito de Jesus. Quando se perde essa referência essencial, já não se trabalha para o Reino de Deus, tampouco para a verdadeira evangelização. O Espírito de Jesus deve ser o guia de nossos trabalhos, pensamentos e obras; sem Ele, não há evangelização, tal como foi vivida e pensada por São Vicente de Paulo.
Essas palavras, e tantas outras dirigidas a nós, seminaristas admitidos, que podem ser associadas à figura religiosa dos noviços, soaram como um alerta e uma chamada à fidelidade ao projeto salvífico de Jesus. Recordaram-nos que, antes de qualquer atividade pastoral ou compromisso social, nós, enquanto cristãos e missionários, devemos cultivar uma vida profunda de oração. Como insistia o Fundador, essa atitude não se restringe a uma etapa formativa específica, mas deve acompanhar toda a vida, até o dia em que o Senhor nos chamar. Uma vida marcada por muitas atividades e pouca vida espiritual enfraquece o espírito, esvazia o carisma e faz perder o sentido profundo da missão confiada pela Igreja.
Por isso nós, seminaristas admitidos, manifestamos profunda gratidão pelas palavras dirigidas e pelo cuidado espiritual demonstrado pelo Padre Vandeir para com esta nova comunidade, formada por jovens provenientes de diversas regiões do Brasil e do mundo. Os seminaristas admitidos foram: da Província Brasileira da Congregação da Missão (PBCM), Carlos Francis Diniz, CM, e Jakson Lopes, CM; da Província de Fortaleza (PFCM), Anderson Gomes de Souza, CM, Arival Vasselechen Júnior, CM, e Erick Glaysom Câmara, CM; da Província do México, Miguel Andrés García Juárez, CM, e Carlos Alberto Yánhez Juárez, CM; e da Província da Argentina (APU), Álvaro Juan González Figueroa, CM, e Fredy Benítez Molinas, CM.
Estiveram presentes na acolhida desses seminaristas e concelebraram a Eucaristia os missionários vicentinos: Padre Gentil Silva, CM, Padre Sebastião Carvalho, CM, Padre Erick Gonçalves, CM, Padre Allyson Garcia, CM, Padre Weliton Martins, CM, Padre Louis Francescon, CM, Padre Eli Chaves, CM, e Padre Paulo Alves, que exerce seu ministério na Paróquia Santa Terezinha, pertencente ao clero da Arquidiocese de Belo Horizonte. A celebração contou ainda com a presença das Filhas da Caridade e de convidados leigos, expressão da comunhão e amizade ao longo destes anos de preparação para o Seminário Interno.
A admissão é vivida, assim, como um tempo de gratidão e esperança. À luz das Constituições e Estatutos, ela recorda que a fidelidade ao carisma de São Vicente de Paulo passa por uma formação paciente, por um discernimento contínuo e por uma sincera docilidade ao Espírito Santo, que conduz a Congregação da Missão no serviço aos pobres e à Igreja, ontem, hoje e sempre.
Termino este texto da mesma forma como São Vicente encerrou a carta de apresentação das Constituições Comuns da Congregação da Missão: “Finalmente, pois, Irmãos, vos rogamos e conjuramos, pelo amor de Jesus Cristo, que vos apliqueis à exata observância das mesmas regras, tendo por certo que, se as guardardes, elas vos guardarão, e, por último, vos conduzirão seguros ao fim desejado, isto é, à celeste bem-aventurança. Amém.” Rezem por nós!