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Da Comunidade ao Santuário 03 de Julho de 2026 25 Anos da Paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa Isabel Rocha Vieira
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A Paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, localizada no Riacho Fundo II, Região Administrativa do Distrito Federal, também referida neste texto como cidade, faz parte, de modo especial, da história local e da vida de seus habitantes, cujas primeiras experiências comunitárias antecedem a própria criação oficial da Região Administrativa.

Os moradores chegaram à região de forma paulatina. Uma parte deles remonta ao período da construção de Brasília, quando foi criada uma vila de funcionários na área onde hoje se encontra a Granja Modelo. Mais tarde, a partir de 1986, novos moradores chegaram à região em razão do projeto de reforma agrária denominado Combinado Agrourbano de Brasília (CAUB), implantado nas áreas do CAUB I e do CAUB II.

Foi nesse contexto, portanto, que surgiram as primeiras Comunidades. Antes mesmo do parcelamento oficial da área, já havia moradores organizados e vida comunitária na região. As Comunidades nasciam da iniciativa de leigas e leigos, que se reuniam em suas casas para rezar o terço, enquanto padres de regiões próximas vinham celebrar missas e prestar assistência religiosa às Comunidades que começavam a germinar. Com o crescimento da participação, as celebrações e demais atividades religiosas passaram a acontecer também em espaços comunitários utilizados pelos moradores, até que, pouco tempo depois, essas Comunidades conquistaram seus próprios espaços.

Somente depois desse processo inicial de ocupação e organização comunitária é que a Região Administrativa foi estruturada para atender ao Programa de Assentamento do Governo do Distrito Federal. O parcelamento da área foi aprovado em 1994, e a ocupação oficial teve início em 1995. Desde então, os loteamentos foram sendo concedidos gradualmente, em sua maioria a participantes dos programas habitacionais do Distrito Federal.

No mesmo contexto de surgimento comunitário, nasceu também a Comunidade que, mais tarde, se tornaria a Matriz, sede da Paróquia. A primeira missa dessa Comunidade foi celebrada no dia 27 de novembro de 1996, em frente a um conhecido mercado, sob a presidência do Padre José Gonçalves, pároco da Paróquia São Domingos Sávio (localizada no Riacho Fundo I). Por coincidir com a festa litúrgica de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, a santa foi escolhida como padroeira. As celebrações continuaram a ocorrer nesse local por algum tempo, sendo posteriormente transferidas para um galpão pertencente à Administração Regional do Riacho Fundo II.

Inicialmente, ergueu-se um barracão de madeira para as celebrações. Devido ao número crescente de fiéis, essa estrutura provisória passou por sucessivas ampliações em um curto espaço de tempo. Em 1999, a Comunidade expandiu-se para o terreno ao lado, local onde a igreja se encontra atualmente. Em maio de 2001, o Padre Zeca (do Centro Cultural Missionário) chegou à comunidade. Foi a partir de sua vinda que se elaborou o projeto e, algum tempo depois, iniciou-se a construção do templo em alvenaria.

Em 22 de junho de 2001, por meio do decreto nº 06/2000, foi criada a Quase-Paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, sendo o Padre Zeca nomeado seu administrador paroquial na mesma data. A nova estrutura passou a integrar as seguintes comunidades: Santa Luzia (CAUB I), Nossa Senhora Aparecida (CAUB II), São Paulo Apóstolo (Granja Modelo), São Francisco de Assis (QC 2) e São Daniel Comboni (QC 6).

No primeiro semestre de 2003, após a saída do Padre Zeca, a paróquia passou a ser conduzida pelos padres da Congregação da Missão. O Padre Maurício (como pároco) e o Padre Getúlio (como vigário) iniciaram essa nova etapa, dando continuidade à construção da igreja-matriz. A atuação pastoral da Congregação, por meio destes e dos demais sacerdotes e irmãos que serviram à comunidade ao longo do tempo, foi determinante para o amplo crescimento da paróquia.

O Riacho Fundo II segue em contínua expansão. Com o crescimento da cidade, também cresceu entre os moradores o desejo de se reunir para rezar e celebrar perto de suas casas. Atentos a esse anseio, os padres incentivaram e organizaram o surgimento de novas Comunidades: em 2005, Nossa Senhora da Imaculada Conceição e São Vicente de Paulo; em 2010, São José; em 2015, São Bento; e, em 2018, Nossa Senhora da Rosa Mística.

A Paróquia é conhecida não apenas pela extensa área territorial que abrange, mas também pelas festas litúrgicas e socioculturais que promove, pela intensa atividade pastoral e missionária, pela atuação de suas lideranças e pela estrutura ampla e diversificada da igreja-matriz. Em cada Comunidade, a fé se expressa de modo próprio, em costumes, celebrações e formas singulares de rezar, servir e conviver; entre essas expressões, destacam-se as festas dos padroeiros, vividas com especial fervor e preparadas com zelo e devoção. É essa diversidade de rostos e vivências que dá à Paróquia sua unidade e sua beleza. Entre os momentos que mais manifestam essa comunhão, destacam-se, na igreja-matriz, o Pentecostes, celebrado desde 2011 com a bênção das velas do Pai, do Filho e do Espírito Santo; a Novena e a Festa da Padroeira, que sempre contam com a participação de todas as Comunidades na liturgia; e, mais recentemente, a Missa da Graça, celebrada no dia 27 de cada mês, desde 27 de novembro de 2024, com a distribuição das medalhinhas. Além das celebrações litúrgicas, as Comunidades também promovem festas socioculturais, entre as quais se destacam as tradicionais festas juninas, muito aguardadas e frequentadas pela população do Riacho Fundo II.

A Paróquia desempenha ainda um importante papel na formação cristã e social, em busca de melhorar a vida em comunidade. Destaca-se, nesse sentido, a atuação das Conferências Vicentinas, por meio das visitas de costume, das campanhas de arrecadação e das ações sociais realizadas ao longo do ano, como expressão concreta de uma Igreja em saída. A igreja-matriz também sempre manteve suas portas abertas a projetos sociais promovidos pela sociedade civil e pelo poder público local voltados ao atendimento de diversas necessidades humanas, entre elas a alfabetização de adultos, a orientação jurídica, os cursos profissionalizantes, a prática de esportes e o atendimento psicológico.

Atualmente, a comunidade paroquial colhe os frutos de diversos esforços, testemunhando a construção do Santuário dedicado a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, fruto da profecia revelada no Pentecostes de 2016. Além disso, avança a construção da Igreja Nossa Senhora de Fátima, enquanto outras Comunidades já adquiriram terrenos e imóveis para a construção ou permanência de seus templos. Tudo isso é fruto da generosidade de tantos que, ao longo dos anos, doaram-se em trabalho pastoral, braçal e intelectual, dedicando tempo e recursos, para a edificação dos templos e, mais profundamente, para a realização do Reino de Deus.

A atuação dos padres da Congregação da Missão nesta paróquia constitui um alicerce fundamental na história e no cotidiano da cidade. Ao observar os templos locais, notam-se as marcas de sucessivas construções e reformas que, em diferentes épocas, modernizaram a infraestrutura e dignificaram os espaços de celebração. No entanto, para além das edificações materiais, o trabalho pastoral desenvolvido por esses sacerdotes revela-se a verdadeira base de sustentação da comunidade de fé. A presença contínua e zelosa dos Padres da Missão não apenas preserva o patrimônio físico, mas, primordialmente, edifica o espírito dos fiéis. Tal dedicação é responsável por moldar e fortalecer a identidade cristã do povo. Trata-se, portanto, de um processo de evangelização que permanece ativo e frutífero.

* Artigo originalmente publicado no Informativo São Vicente N. 335, referente a abril, maio e junho de 2026, disponível aqui.

Sobre a autora

Isabel Rocha Vieira nasceu em Brasília, em 1995. Passou os primeiros anos de vida em Águas Lindas de Goiás, no entorno do Distrito Federal, e, aos 7 anos, mudou-se para o Riacho Fundo II. Desde então, participa da Comunidade Nossa Senhora Aparecida, onde fez a catequese de preparação para a Eucaristia e a Crisma. Após receber esses sacramentos, iniciou seu serviço como catequista. Foi coordenadora da catequese da comunidade por dois anos e coordenadora paroquial por quatro, período em que contribuiu para a organização da Escola Paroquial de Formação de Catequistas. Desde 2025, é coordenadora da catequese do Setor XIII da Arquidiocese de Brasília. Graduada em Antropologia pela Universidade de Brasília, atualmente escreve um livro comemorativo pelos 25 anos da paróquia, com lançamento previsto para novembro deste ano.

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