A Paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, localizada no Riacho Fundo II, Região Administrativa do Distrito Federal, também referida neste texto como cidade, faz parte, de modo especial, da história local e da vida de seus habitantes, cujas primeiras experiências comunitárias antecedem a própria criação oficial da Região Administrativa.
Os moradores chegaram à região de forma paulatina. Uma parte deles remonta ao período da construção de Brasília, quando foi criada uma vila de funcionários na área onde hoje se encontra a Granja Modelo. Mais tarde, a partir de 1986, novos moradores chegaram à região em razão do projeto de reforma agrária denominado Combinado Agrourbano de Brasília (CAUB), implantado nas áreas do CAUB I e do CAUB II.
Foi nesse contexto, portanto, que surgiram as primeiras Comunidades. Antes mesmo do parcelamento oficial da área, já havia moradores organizados e vida comunitária na região. As Comunidades nasciam da iniciativa de leigas e leigos, que se reuniam em suas casas para rezar o terço, enquanto padres de regiões próximas vinham celebrar missas e prestar assistência religiosa às Comunidades que começavam a germinar. Com o crescimento da participação, as celebrações e demais atividades religiosas passaram a acontecer também em espaços comunitários utilizados pelos moradores, até que, pouco tempo depois, essas Comunidades conquistaram seus próprios espaços.
Somente depois desse processo inicial de ocupação e organização comunitária é que a Região Administrativa foi estruturada para atender ao Programa de Assentamento do Governo do Distrito Federal. O parcelamento da área foi aprovado em 1994, e a ocupação oficial teve início em 1995. Desde então, os loteamentos foram sendo concedidos gradualmente, em sua maioria a participantes dos programas habitacionais do Distrito Federal.
No mesmo contexto de surgimento comunitário, nasceu também a Comunidade que, mais tarde, se tornaria a Matriz, sede da Paróquia. A primeira missa dessa Comunidade foi celebrada no dia 27 de novembro de 1996, em frente a um conhecido mercado, sob a presidência do Padre José Gonçalves, pároco da Paróquia São Domingos Sávio (localizada no Riacho Fundo I). Por coincidir com a festa litúrgica de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, a santa foi escolhida como padroeira. As celebrações continuaram a ocorrer nesse local por algum tempo, sendo posteriormente transferidas para um galpão pertencente à Administração Regional do Riacho Fundo II.
Inicialmente, ergueu-se um barracão de madeira para as celebrações. Devido ao número crescente de fiéis, essa estrutura provisória passou por sucessivas ampliações em um curto espaço de tempo. Em 1999, a Comunidade expandiu-se para o terreno ao lado, local onde a igreja se encontra atualmente. Em maio de 2001, o Padre Zeca (do Centro Cultural Missionário) chegou à comunidade. Foi a partir de sua vinda que se elaborou o projeto e, algum tempo depois, iniciou-se a construção do templo em alvenaria.
Em 22 de junho de 2001, por meio do decreto nº 06/2000, foi criada a Quase-Paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, sendo o Padre Zeca nomeado seu administrador paroquial na mesma data. A nova estrutura passou a integrar as seguintes comunidades: Santa Luzia (CAUB I), Nossa Senhora Aparecida (CAUB II), São Paulo Apóstolo (Granja Modelo), São Francisco de Assis (QC 2) e São Daniel Comboni (QC 6).
No primeiro semestre de 2003, após a saída do Padre Zeca, a paróquia passou a ser conduzida pelos padres da Congregação da Missão. O Padre Maurício (como pároco) e o Padre Getúlio (como vigário) iniciaram essa nova etapa, dando continuidade à construção da igreja-matriz. A atuação pastoral da Congregação, por meio destes e dos demais sacerdotes e irmãos que serviram à comunidade ao longo do tempo, foi determinante para o amplo crescimento da paróquia.
O Riacho Fundo II segue em contínua expansão. Com o crescimento da cidade, também cresceu entre os moradores o desejo de se reunir para rezar e celebrar perto de suas casas. Atentos a esse anseio, os padres incentivaram e organizaram o surgimento de novas Comunidades: em 2005, Nossa Senhora da Imaculada Conceição e São Vicente de Paulo; em 2010, São José; em 2015, São Bento; e, em 2018, Nossa Senhora da Rosa Mística.
A Paróquia é conhecida não apenas pela extensa área territorial que abrange, mas também pelas festas litúrgicas e socioculturais que promove, pela intensa atividade pastoral e missionária, pela atuação de suas lideranças e pela estrutura ampla e diversificada da igreja-matriz. Em cada Comunidade, a fé se expressa de modo próprio, em costumes, celebrações e formas singulares de rezar, servir e conviver; entre essas expressões, destacam-se as festas dos padroeiros, vividas com especial fervor e preparadas com zelo e devoção. É essa diversidade de rostos e vivências que dá à Paróquia sua unidade e sua beleza. Entre os momentos que mais manifestam essa comunhão, destacam-se, na igreja-matriz, o Pentecostes, celebrado desde 2011 com a bênção das velas do Pai, do Filho e do Espírito Santo; a Novena e a Festa da Padroeira, que sempre contam com a participação de todas as Comunidades na liturgia; e, mais recentemente, a Missa da Graça, celebrada no dia 27 de cada mês, desde 27 de novembro de 2024, com a distribuição das medalhinhas. Além das celebrações litúrgicas, as Comunidades também promovem festas socioculturais, entre as quais se destacam as tradicionais festas juninas, muito aguardadas e frequentadas pela população do Riacho Fundo II.
A Paróquia desempenha ainda um importante papel na formação cristã e social, em busca de melhorar a vida em comunidade. Destaca-se, nesse sentido, a atuação das Conferências Vicentinas, por meio das visitas de costume, das campanhas de arrecadação e das ações sociais realizadas ao longo do ano, como expressão concreta de uma Igreja em saída. A igreja-matriz também sempre manteve suas portas abertas a projetos sociais promovidos pela sociedade civil e pelo poder público local voltados ao atendimento de diversas necessidades humanas, entre elas a alfabetização de adultos, a orientação jurídica, os cursos profissionalizantes, a prática de esportes e o atendimento psicológico.
Atualmente, a comunidade paroquial colhe os frutos de diversos esforços, testemunhando a construção do Santuário dedicado a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, fruto da profecia revelada no Pentecostes de 2016. Além disso, avança a construção da Igreja Nossa Senhora de Fátima, enquanto outras Comunidades já adquiriram terrenos e imóveis para a construção ou permanência de seus templos. Tudo isso é fruto da generosidade de tantos que, ao longo dos anos, doaram-se em trabalho pastoral, braçal e intelectual, dedicando tempo e recursos, para a edificação dos templos e, mais profundamente, para a realização do Reino de Deus.
A atuação dos padres da Congregação da Missão nesta paróquia constitui um alicerce fundamental na história e no cotidiano da cidade. Ao observar os templos locais, notam-se as marcas de sucessivas construções e reformas que, em diferentes épocas, modernizaram a infraestrutura e dignificaram os espaços de celebração. No entanto, para além das edificações materiais, o trabalho pastoral desenvolvido por esses sacerdotes revela-se a verdadeira base de sustentação da comunidade de fé. A presença contínua e zelosa dos Padres da Missão não apenas preserva o patrimônio físico, mas, primordialmente, edifica o espírito dos fiéis. Tal dedicação é responsável por moldar e fortalecer a identidade cristã do povo. Trata-se, portanto, de um processo de evangelização que permanece ativo e frutífero.