Jesus veio ao mundo como um sem-teto. Maria e José estavam em Belém por ocasião do recenseamento imposto pelos romanos e não conseguiram um quarto de pousada ou um cômodo de amigos para passar a noite. Quando Maria, grávida de nove meses e tanto, começou a sentir as dores do parto, José ainda buscava um abrigo que fosse. Ele só conseguiu um curral de vacas, onde Jesus nasceu e em seguida foi posto em uma manjedoura. Hoje, esta conhecida cena tem a sua dor e dificuldade amenizadas pela candura dos presépios, reproduzidos sem que haja uma reflexão sobre seu real significado. Porém, não é bonito, nem ao menos confortável, nascer em um curral. Naquele local não havia luzes de pisca-pisca ou música natalina, ali havia a dor e a incerteza de uma família desabrigada.
A campanha da fraternidade do próximo ano, cuja temática é “Fraternidade e Moradia”, nos convida a pensar sobre as pessoas que, assim como o recém-nascido Jesus, vivem a incerteza de não ter um local seguro onde repousar a cabeça. No nosso cotidiano, encontramos muitos destes irmãos e irmãs, são nossos vizinhos, dividem conosco a mesma rua, o mesmo bairro. Pouco fazemos para aliviar a dor que eles sentem, e, muitas vezes, até desejamos que se distanciem de nós. Eles dormem embaixo das marquises dos nossos prédios, subsistem em grande sofrimento físico e mental. Não têm cama ou lugar para um banho digno, tampouco a garantia de uma refeição diária. Estas pessoas vivem como Jesus nasceu. E poucos se dispõem a oferecer-lhes qualquer ajuda, mínima que seja. Neste momento, devemos mirar a atitude dos Magos e Pastores, que, ao verem o Menino e sua família, não se afastaram deles. Mas ajudaram, cedendo espaço e acolhendo - como fizeram os Pastores - e oferecendo presentes - como fizeram os Magos. Respondendo à nossa vocação como Agentes de Transformação Social, precisamos ser Magos e Pastores para os nossos irmãos e vizinhos em situação de rua.
Por isso, neste Natal, convido nossa comunidade a olhar para o presépio de uma maneira diferente, para além dos bibelôs, das vaquinhas fofas e pequenas estátuas felizes, mas olhar como um espaço simples e pobre, onde nasceu o Filho de Deus. Que o presépio nos ensine a ser gratos pelo pouco que temos, inclusive o privilégio de ter uma casa. Vicentinos que somos, sabemos que a melhor maneira de demonstrar gratidão é ajudando a quem precisa. Sejamos Magos e Pastores! Um feliz e abençoado Natal para todos.