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Mensagem do Superior Geral para o Advento 01 de Dezembro de 2021 Doentes e idosos, fortes construtores de um futuro luminoso e pleno de esperança Tomaž Mavric, CM
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Todos os anos a Igreja nos oferece o tempo do dom e da graça chamado “Advento” que nos ajuda a preparar o coração e a mente de uma maneira especial para o tempo do Natal. Continuando a reflexação sobre São Vicente de Paulo como “místico da caridade”, eu convido a todos, neste tempo do Advento deste ano, a meditar sobre a missão incontestável e vital dos doentes e das pessoas idosas no centro da Igreja e no mundo e, portanto, nas nossas congregações, associações, comunidades, famílias e grupos.

Se por um lado, a sociedade considera frequentemente, os doentes e as pessoas idosas como inúteis para o desenvolvimento de um futuro luminoso e pleno de esperança para a humanidade, por outro, na Bíblia, Jesus inverte todos estes preconceitos e concede aos doentes e idosos um papel privilegiado na missão que o Pai lhe confiou de levar todas as pessoas a Ele, ao Seu coração, para que o Reino de Deus se realize.

Esta inversão bíblica deriva de uma distinção radical de quem, de fato, é colocado no centro. Quem é que dá pleno sentido às nossas vidas, ao que fazemos, àquilo a que dedicamos todos os nossos dons e talentos? Quem é a suprema fonte de felicidade e de alegria? Não é a pessoa humana que ocupa o primeiro lugar, mas Deus.

A sociedade sempre coloca a pessoa humana no centro, na medida em que ela é física e mentalmente lucrativa; Deus não tem lugar ou, se tem, é o terceiro ou quarto lugar, dependendo da opinião egoísta de cada indivíduo. A conclusão lógica, é que em um determinado momento, os doentes e as pessoas idosas tornam-se, como sempre repete o Papa Francisco, “descartados da sociedade” (cf. Fratelli tutti, 278), que não são úteis para contribuir com um futuro luminoso e pleno de esperança para a humanidade.

São Vicente fala várias vezes sobre o papel dos doentes: “Já disse muitas vezes, e não posso deixar de repetir ainda, neste momento: devemos estimar que as pessoas acometidas pela doença na Companhia são a bênção da mesma Companhia e da casa. Consideremos isto tanto mais verdadeiro, quanto é verdade que Nosso Senhor Jesus Cristo amou este estado de sofrimento, pelo qual quis Ele mesmo passar, e se fez homem para poder sofrer” (Obras Completas, SV XI, p. 30, sobre o bom uso das enfermidades, 28 de junho de 1658).

“Temos motivo de louvar a Deus, porque, por sua bondade e misericórdia, há na Companhia enfermos e doentes que fazem de suas aflições e sofrimentos um palco de paciência, onde apresentam o brilho de todas as virtudes. Agradeçamos a Deus por nos ter dado tais pessoas. Ja? disse va?rias vezes e na?o posso deixar de dizer que devemos pensar que os membros da Companhia, afligidos pela doença, são a bênção da própria Companhia” (Obras Completas, SV XI, p. 74, sobre a utilidade e bom uso das doenças).

“Mas para a Companhia, pobre Companhia! Oh! nunca se permita algo de singular, nem nos alimentos, nem nas vestes. Excetuo sempre os doentes, oh! pobres doentes! para cuja assistência cumpriria vender até os cálices da Igreja. Cumulou-me Deus de ternura para com isso e peço-lhe dê tal espírito à Companhia” (Obras Completas, SV XII, p. 418, sobre a pobreza, 5 de dezembro de 1659).

Na sua mensagem por ocasião da primeira jornada mundial dos avós e das pessoas idosas, o Papa Francisco citou “um idoso santo, que continua a rezar e trabalhar pela Igreja”, o Papa emérito Bento XVI, que expressou: “a oração dos idosos pode proteger o mundo, ajudando-o talvez de modo mais incisivo do que a fadiga de tantos”. O Papa Francisco ainda acrescentou: “disse-o quase no fim do seu pontificado, em 2012. É belo! A tua oração é um recurso preciosíssimo: é um pulmão de que não se podem privar a Igreja e o mundo”.

O Papa Francisco falou também que “não existe uma idade para aposentar-se da tarefa de anunciar o Evangelho”, definitivamente a vocacão das pessoas idosas é “salvaguardar as raízes, transmitir a fé aos jovens e cuidar dos pequeninos” (Mensagem do Papa Francisco por ocasião da primeira jornada mundial dos avós e das pessoas idosas, 25 de julho de 2021).

Numa audiência sobre a família, o Papa Francisco expressou que “os anciãos são a reserva sapiencial do nosso povo! [...] Devemos despertar o sentido comunitário de gratidão, de apreço e de hospitalidade, que levem o idoso a sentir-se parte viva da sua comunidade”. Uma sociedade que não sabe manifestar gratidão e afeto às pessoas idosas “é uma sociedade perversa. Fiel à Palavra de Deus, a Igreja não pode tolerar estas degenerações”.

“Onde não há honra pelos idosos não há porvir para os jovens”. Além disso o “idoso não é um alienado. O idoso somos nós: daqui a pouco, daqui a muito tempo, contudo inevitavelmente, embora não pensemos nisto. E se não aprendermos a tratar bem os anciãos, também nós seremos tratados assim” (Papa Francisco, audiência geral, quarta-feira, 4 de março de 2015).

Vicente de Paulo tinha compreendido estes princípios. Nas Regras comuns, as primeiras Constituições da Congregação da Missão, ele escreveu: “Como entre as coisas que Cristo praticava e mais frequentemente recomendava aos que enviava à sua vinha, fosse uma das principais o cuidado e visita dos enfermos, mormente pobres, por isto a Congregação da Missão terá particular cuidado de visitar e aliviar... não só os enfermos domésticos, mas também os de fora” (Cap.VI, no 1).

“Em qualquer parte em que visitarem algum enfermo, em casa ou fora dela não o considerarão como homem, mas como o próprio Cristo, que afirma ser a Ele que se presta tal obséquio” (Cap. VI, no 2). São Vicente de Paulo dirigiu-se também aos próprios doentes com as seguintes palavras: “Também os nossos enfermos se persuadirão de que não estão detidos na enfermaria e na cama somente para se curar com os remédios e alcançar a saúde, mas também para ensinar, como de um púlpito, ao menos com o seu exemplo, as virtudes cristãs, principalmente a paciência e a conformidade com a divina vontade. Assim, será o bom odor de Cristo para todos os que os visitarem e servirem, de sorte que sua virtude se aperfeiçoe na enfermidade” (Cap. VI, no 3).

Durante este tempo do Advento, descubramos cada vez mais em nossas comunidades, famílias e grupos, o “tesouro vivo” que são os doentes e as pessoas idosas. Eles são presenças vivas de Jesus entre nós. Eles são Jesus, a quem devemos todo o nossos amor, todos os cuidados que podemos humanamente oferecer. Eles continuam sendo nossos mestres, nosso modelo e nosso apoio na construção de um futuro luminoso e pleno de esperança, porque é Jesus que nos fala através deles, indicando-nos em quais fundações somos convidados a construir nossos sonhos, nossas esperanças e nossos objetivos. Não precisamos ceder a mentalidade de certos setores da sociedade que consideram os doentes e as pessoas idosas como descartados: uma vez terminado o momento efêmero da alegria, tudo o que resta é o luto, a desilusão, a frustração e uma vida sem sentido.

Vicente de Paulo, tornou-se um “místico da caridade”, compreendeu e viveu a relação com as pessoas doentes e idosas, seguindo o exemplo de Jesus. Que este tempo do Advento nos faça aprofundar cada vez mais a mensagem de Jesus para os doentes e idosos, a fim de que, enquanto nos preparamos para celebrar o nascimento do nosso Salvador, possamos construir com eles um futuro luminoso e pleno de esperança à luz da Sua presença.

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