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O chão das agrovilas e as linhas do tempo 03 de Julho de 2026 Trajetória de fé e esperança nos 50 anos da Paróquia São José Operário Pe. Raimundo João da Silva, CM
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Quando a equipe missionária e o povo de Deus se uniram para clamar "São José Operário, ajuda-nos a manter viva nossa história", não eram apenas palavras que formavam um tema. Estavam abrindo as páginas de um diário construído, escrito a muitas mãos, que já soma meio século de existência.

Olhar para trás é um exercício de gratidão. Tudo começou a ganhar contornos mais nítidos em 15 de setembro de 2025, o ponto de partida das celebrações do Jubileu de Ouro. Mas, para entender o presente, a memória precisou viajar no tempo até o mesmo dia de setembro de 1976. Foi ali, na Agrovila 03, que a semente foi plantada com a posse do primeiro pároco, o Padre Antônio de Moura. Cinquenta anos de uma caminhada que transformou o território.

A história, no entanto, é feita de encontros. Vinte anos após a fundação, a Providência Divina trouxe novos rostos para esse chão sertanejo. A década de 1996 foi marcada com a chegada da Congregação da Missão. Os padres Lazaristas traziam na bagagem o carisma vicentino e o desejo de caminhar junto ao povo. Sob o olhar e a benção do saudoso Bispo Dom Francisco Batistela, o Padre Paulo Eustáquio Venuto assumiu a direção da comunidade, ladeado pelo Padre Antônio Carlos Vilela Mota. Logo depois, o saudoso Irmão Miguel Maria Generoso somou suas forças a esse grupo.

Mas a missão nunca se faz de forma solitária. O sagrado feminino também fincou suas raízes ali. As Irmãs Franciscanas Alcantarinas — Benigna, Consolação e Tarcísia — chegaram com a delicadeza e a firmeza da vida consagrada, fundindo o carisma de São Francisco ao de São Vicente de Paulo. Dois gigantes da fé que, através de seus filhos sacerdotes e consagradas, se tornaram o rosto da esperança para o povo do sertão.

Os anos seguintes viraram páginas rápidas no calendário, cada um deixando sua marca. Passaram por aqui o Padre Juarez Carlos Soares, em 1997, e o Padre José do Amparo Rocha, no fechar das cortinas do século, em 1999. A virada do milênio abriu a porta para a chegada do saudoso Padre Manoel Bonfim, que deixou seu sinal de fé que fortifica o povo baiano.

O Padre João Donizete Dowbroski, seguido pela dedicação dos padres Alex Sandro, Neider, Deoclides, Geraldo Mól e Paulo José. Cada um, a seu modo, regou essa plantação. Padre Gentil e Padre José Valdo gastaram anos de suas vidas nessas estradas, assim como o Padre Erik Carvalho e a presença luminosa do Irmão Milton.

Hoje, cabe a mim, Padre Raimundo João, ao lado dos Vigários Padre Gustavo e Padre Francisco a missão de guardar e manter esse fogo aceso. Essa fé de um povo miscigenado, composto por quase 16 mil famílias vindas de todos os cantos do Brasil, que fizeram de Serra do Ramalho o seu lar. Uma gente que vive do comércio, da educação, da lida com a terra e com o gado, e que todo mês de junho se veste de festa na tradicional vaquejada, celebrando a cultura e a vida.

Contudo, a evangelização neste chão nunca foi desassociada da realidade social. O povo daqui sabe o que é a poeira do caminho. Conhece a luta pela conquista da terra e o valor sagrado da água. É na grande Romaria da vida que os laços de amizade se refazem e o vigor se renova para enfrentar os caminhos difíceis do território.

Por isso, em comunhão com a Diocese de Bom Jesus da Lapa, na pessoa de Dom Rubival, atual Bispo Diocesano de Bom Jesus da Lapa, a nossa missão se faz ação concreta. O amor de Deus ganha forma no Projeto Informática São Vicente de Paulo (ISVIP), que hoje abre horizontes em Bom Jesus da Lapa, Sítio do Mato, Carinhanha e aqui, em Serra do Ramalho. Ganha forma também na dignidade do Projeto 13 Casas, que estende a mão a quem não tem onde morar, e no alento das cestas básicas que alimentam as famílias mais carentes do município.

Celebrar 50 anos da Paróquia e 30 anos da presença Vicentina e Franciscana Alcantarina não é apenas olhar para o retrovisor. É reconhecer que cada passo dado na poeira de Serra do Ramalho foi guiado pela Providência. As linhas estão escritas, o trajeto cultural e social está desenhado, mas a história da salvação continua viva, pulsando no coração de cada missionário(a) e dos serramalhenses que insistem em ter fé.

* Artigo originalmente publicado no Informativo São Vicente N. 335, referente a abril, maio e junho de 2026, disponível aqui.
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