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O êxodo do Verdadeiro Israel 31 de Março de 2026 Itinerário catequético-formativo da Quaresma, Tríduo pascal e Tempo da Páscoa Pe. Louis Francescon Costa Ferreira, CM
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No dia 18 de fevereiro, a Igreja iniciou o tempo santo da Quaresma, para ajudar o povo de Deus no seu profundo caminho de conversão pessoal-comunitária, pastoral-missionária. Com o Evangelho de Mateus (Ano A), vivemos um itinerário catequético-formativo que ensina, ao Novo Povo de Deus, a sua missão: tornar-se discípulo- missionário do Reino dos céus, cumprindo toda a justiça, a exemplo das palavras e ações de Jesus de Nazaré. Como identificar esses elementos considerando as celebrações e reflexões ao longo da Quaresma, rumo à Páscoa?

O Primeiro Domingo da Quaresma apresentou a chave de leitura, não só para cada tempo litúrgico, mas para toda a vida do discípulo: “Deus todo-poderoso (...), concedei-nos progredir no conhecimento do mistério do Cristo e corresponder-lhe por uma vida santa”. Portanto, a Quaresma nos veio como Kairós, isto é, “o momento favorável” (2Cor 6,2b) para que o discípulo realize um autêntico exame de consciência e busque converter-se, segundo a proposta catequético-dominical que lhe é apresentada neste ano: o itinerário batismal. Ora, pela graça do batismo, “porta dos sacramentos (...), pelo qual os homens são libertos dos pecados, se regeneram como filhos de Deus e, configurados por um caráter indelével, se incorporam à Igreja” (Cân 849), é que o discípulo-missionário construiu, segundo Mateus, o seu caminho penitencial, por meio dos símbolos da água (3º DQ), da luz (4º DQ) e da vida nova (5º DQ).

Independentemente do ano litúrgico, os dois primeiros domingos da Quaresma apresentam os relatos evangélicos da tentação no deserto e da transfiguração, proclamando a fidelidade do Messias Jesus, contrária à rebeldia do povo no deserto rumo à terra prometida (cf. Êx 16; 17,1-7; 32,1-35; Sl 95). A perseverança no amor do Pai e o propósito de cumprir toda a justiça (cf. Mt 3,15), revelam a imagem do Cristo glorioso após a morte violenta na cruz, prefigurada no episódio da Transfiguração (cf. Mt 17,1-9).

As palavras dirigidas aos discípulos de outrora, e a nós hoje, “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o!” (Mt 17,5b), reforçam a centralidade do Tríduo Pascal, no qual vemos Jesus, humilde Servo do Senhor (Is 50,4-7; Domingo de Ramos), e sacerdote que institui o sacramento do amor, a Santíssima Eucaristia cujo mistério revela a verdade na ação do Filho, pela qual Corpo e Sangue se transformarão em alimento para a caminhada do povo que Ele veio libertar dos pecados (cf. Mt 1,21; Quinta-feira Santa).

A morte na Cruz (cf. Jo 19,30; Sexta-Feira Santa) manifesta a identidade do próprio Messias e do Deus de Israel, que transformará um conceito do Antigo Testamento (cf. Dt 21,22-23; Gl 3,13), visto até então como maldição, em verdade teológica e amor absoluto ao Filho e para com todos os que serão capazes de doar a sua vida em favor do Reino dos céus: o Filho do Homem, suspenso na cruz, é o “bendito de Deus” (VITÓRIO, 2019, p. 26). Portanto, a ressurreição de Jesus é a resposta do Pai, manifestando um profundo amor pelo Filho, já confirmado no batismo (cf. Mt 3,13-17), na transfiguração (cf. Mt 17,1-13), na crucificação (cf. Mt 27,27-44) e ressurreição (cf. Mt 28,6 – Domingo da Páscoa).

Os períodos da Quaresma e da Páscoa, durante seis domingos, evidenciarão a caminhada do Verdadeiro Israel constituído pela ação de Deus na história, desde a Encarnação até à Ascensão para Ele (VITÓRIO, 2019, p. 71). O Novo Povo de Deus, termo que expressa, com veemência, o objetivo do presente ano litúrgico, é a nova família de Jesus que, dispensando os laços sanguíneos, incorpora à fecunda raiz de Jessé todos os que estão dispostos a acolher a justiça divina como projeto de vida, horizonte e meta do discípulo do Reino (cf. Mt 5,48; 12,50; Is 11,1.10; Rm 15,2), contido no relato das Bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12), estabelecidas por Jesus como “ as bases do Reino dos céus” (VITÓRIO, 2019, p. 69). presente ano litúrgico, consiste na nova família de Jesus que, dispensando os laços sanguíneos, incorpora à fecunda raiz de Jessé, todos os que estão dispostos a acolher a justiça divina como projeto de vida, horizonte e meta do discípulo do Reino (cf. Mt 5,48; 12,50; Is 11,1.10; Rm 15,2), contido no relato das Bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12), sobre as quais Jesus “lança as bases do Reino dos céus” (VITÓRIO, 2019, p. 69).

O Cristo ressurreto envia novo sopro de vida, colocando o perdão como critério que configura o novo nascimento dos que foram chamados “para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus” (1Pd 1,3-9; 2º DP). Neste sentido, os apóstolos serão convocados a percorrer o caminho de Jesus, com ponto de partida em de Jerusalém “até os confins da terra”. O Espírito concedido “no dia de Pentecostes” fará com que as testemunhas da ressurreição anunciem, cheios de alegria, “o caminho para a vida” (3º DP), por meio de uma sincera conversão para o perdão dos pecados, aceitando o Batismo e o Espírito Santo, enviado como primeiro dom à comunidade pelo ‘Belo Pastor’ - ?γ? ε?μι ? ποιμ?ν ? καλ?ς (cf. Jo 20,22; 4º DP).

Seguindo o Mestre, papel de todo discípulo-missionário (cf. Mt 16,23), como “caminho, verdade e vida”, a comunidade dos escolhidos ficará atenta às necessidades e demandas da missão (cf. Mt 18,6-10), sem permitir que quaisquer desafios causem divisões na comunidade (cf. Mt 18,15-20), pois todos os ministérios, poderes e autoridades, concedidos em vista do anúncio do Evangelho (cf. Mt 10,8-10; At 6,1-7), comportam um propósito comum: “proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa” (1Pd 2,9; 5º DP).

Por fim, antes de sua Ascensão, Jesus Ressuscitado, no qual se cumprem as promessas do Deus de Israel (cf. Is 44,3; Ez 36,26-27; Jl 2,28-29; Zc 12,10), reforça o mandamento novo do amor, em que a acolhida do Espírito Santo ajudará os discípulos a integrar o perfil da comunidade do Novo Povo eleito: “quem acolhe os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei nele” (cf. Jo 14,21; 6º DP).

Assim, compreendemos este caminho catequético-formativo, pois as palavras colhidas nas teofanias do Novo Testamento são enviadas aos discípulos do Reino, hoje: o Deus de Israel ama a cada um que se tornou discípulo e discípula de Jesus, fortalecido pelo Espírito Santo, para que caminhem segundo o projeto de vida revelado no Filho do Homem (cf. Mt 13,52). Ele é a realização das promessas contidas no Antigo Testamento (cf. Mt 1,22.23; 2,15.17.18.23), esperança do povo de Deus, cuja forma de relacionar-se com o Pai e com os irmãos, constitui o Verdadeiro Israel. Este povo não marcha mais para Canaã, terra prometida por Yhwh, mas para “o novo céu e a nova terra” (Ap 21,1), inaugurados no mistério do Christus totus, encarnado, ressuscitado e elevado à glória de Deus Pai (cf. At 2,36; Fl 2,6-11).

Todo este caminho de conversão, pessoal e comunitária, interpela-nos a acolher os pobres, com os quais Jesus se identificará no Juízo Final (cf. Mt 25,31-46), para que possamos, confiantes na bondade de Deus, corresponder ao seu amor por uma vida santa, servindo aos pequeninos com verdade, alegria e sinceridade de alma e coração. A todos vós que fostes chamados a seguir Jesus, estimo um crescimento na fé, na esperança e na caridade, porque sois o “sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5,13-14).

 


Referências bibliográficas

BÍBLIA: palavra viva. São Paulo: Paulus, 2022.

CELEBRAÇÕES e orações diversas. Liturgia Diária, Umuarama, ano 35, n. 410, p. 98, fev. 2026. São Paulo: Paulus.

SANTA SÉ. Código de direito canônico: com o novo livro VI das sanções penais na igreja. 2. ed. Brasília, DF: Edições CNBB, 2022.

VITÓRIO, J. Lendo o Evangelho Segundo Mateus: o caminho do discípulo do Reino. São Paulo: Paulus, 2019.

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