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Paróquia São Sebastião, Jenipapo de Minas 26 de Novembro de 2020 A missão vicentina no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais Sílvia Regina Martins
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A Paróquia São Sebastião de Jenipapo de Minas, diocese de Araçuaí, Minas Gerais, está localizada na região nordeste do estado, conhecida como Vale do Jequitinhonha. Uma região marcada por contrastes econômicos, sociais, culturais e religiosos, mas também de inúmeras belezas resultantes do processo de sua colonização.

Jenipapo de Minas não existia no início do século XX. Contam os antigos moradores que existia na localização onde hoje se encontra a Praça Bom Pai, um antigo cemitério, onde também se encontrava enterrado o venerado “Pai Joaquim”, escravo que, segundo dizem os moradores mais velhos, muito sofrera antes de morrer e a quem muitos moradores atribuem milagres e curas. Sua festa popular acontece todos os anos no primeiro final de semana do mês de maio. A festa é organizada pela Associação dos Devotos de Pai Joaquim. Uma festa que se destaca pela cultura e religiosidade popular.

Na década de 1940, algumas pessoas começaram a construir suas casas em local próximo ao antigo cemitério, onde foi se constituindo o lugarejo. A Capela de São Sebastião, primeira igreja da localidade, foi construída pelos primeiros moradores. Local onde reuniam para missas, celebrações, vários padres vieram atender a localidade como Padre Bernardino, Padre Jaime, Frei Celeste, Padre Willy, Padre Vítor, entre outros, mas não residiam aqui.

Destacamos o Padre Vitor Gomes dos Anjos, que tinha uma propriedade próxima à cidade onde morava, e por muitos anos atendeu a região, como meio de transporte usava um burro, para ele não existia limites geográficos que o impediam de atender o povo.

A Paróquia São Sebastião foi oficialmente criada em 31/03/1981, pelo Decreto de número 002/81, assinado pelo então Bispo Diocesano Dom Silvestre Luís Scandian S.V.D. O território paroquial compreende o município de Jenipapo de Minas e comunidades dos municípios circunvizinhos de Araçuaí, Chapada do Norte e Francisco Badaró. Com um território extenso e um relevo muito acidentado, de precário acesso às comunidades rurais, como também a dificuldade de transporte e comunicação faz com que o processo de evangelização na paróquia seja um grande desafio.

A presença da Congregação da Missão na paróquia teve como marco inicial a primeira Missão Popular Vicentina, em janeiro de 1998, onde padres, seminaristas, religiosos e leigos de outras cidades, e também da própria paróquia, envolvidos na missão, visitaram famílias, comunidades rurais e urbanas, com momentos de oração, formação e escuta. O cruzeiro que marcou o encerramento da missão continua no mesmo local onde foi colocado, a missão marcou época e até hoje é lembrada, com saudade, por quem vivenciou esses momentos.

Em fevereiro de 2007 foi criada a obra Missão-Paróquia Vale do Jequitinhonha, na diocese de Araçuaí, especificamente para as paróquias de Francisco Badaró e Jenipapo de Minas. Os padres da Congregação da Missão fixaram residência em Francisco Badaró, atendendo à paróquia de Jenipapo de Minas. A obra iniciou com os padres Paulo José de Araújo CM, José Gonzaga de Morais, CM, e o Diácono Emanoel Bedê Bertunes (hoje padre). Outros padres da Congregação da Missão que moraram na comunidade e atenderam a paróquia de Jenipapo de Minas: Pe. Raimundo João da Silva, Pe. Pedro Dias de Lima, Pe. Alex Sandro Reis, Pe. Marcus Alexandre, Pe. Luiz Rodrigues Veras, Pe. Getúlio Mota Grossi, Pe. José Valdo dos Santos e Pe. Wander Ferreira.

Atualmente morando em Jenipapo de Minas, o Padre Vanderlei Alves dos Reis, CM, é o Administrador Paroquial. Ele também pertence à comunidade/obra de Francisco Badaró, juntamente com o Padre Erik de Carvalho Gonçalves, CM, Irmão Louis Francescon Costa Ferreira, CM e Irmão Adalberto Costa Silva, CM.

Na Paróquia existe uma comunidade religiosa feminina, a Companhia das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, que pertence à Província de Belo Horizonte. A comunidade foi fundada na paróquia em fevereiro de 2001. Atualmente residem na comunidade as religiosas Irmã Nícia, Irmã Maria das Mercês, Irmã Zelaides e Irmã Conceição. Elas desenvolvem vários trabalhos pastorais e sociais na comunidade, principalmente com as pessoas em situação de vulnerabilidade social. Estão sempre dispostas para servir à comunidade, acompanhando, apoiando os grupos de reflexão, Juventude Mariana Vicentina, Grupo de Visitas aos enfermos, Oficina de bordados, Projeto Bom de Bola Bom na Escola, construção de casas para famílias carentes, Pastoral da Criança, Família Vicentina a nível paroquial e regional. Outras religiosas aqui moraram: Irmã Terezinha, Irmã Aparecida, Irmã Lourdes, Irmã Augusta, Irmã Rosaria, Irmã Elizabeth.

Em janeiro de 2010 celebramos a segunda Missão Popular Vicentina na paróquia com a presença de padres, leigos, irmãos, religiosos e seminaristas. Os missionários visitaram as famílias, reuniaram os grupos e as comunidades, celebraram a vida.

A Paróquia São Sebastião hoje é constituída pela sede, em Jenipapo de Minas, além das comunidades urbanas, que são dividida por bairros (Centro, Laranjeiras, Alto do Campo, Pai Joaquim, Lagoinha, Agreste e Novo Horizonte). As comunidades rurais estão divididas em 4 setores: Setor Centro: Curtume, Bosque, Ribeirão do Bosque, Santana, Lagoa de Serafim, Cipó, Vila São José, São Lucas, Santa Luzia, São Tarcísio, Ribeirão de Areia 1, Machado Córrego, Machado Pai Joaquim, Machado Vila e Vargem Formosa. Setor 2: Agrovila 1,Barragem, Cacheira, São José do Bolas, Silvolândia e Martins.  Setor 3: Santo Antônio do Bolas, São Judas, Muquém, Lagoa Grande, Campo Limpo e Veredas I. Setor 4: Granjas, Estiva, Ribeirão de Areia 2, Barra do Ribeirão do Granjas, Vargem do Setúbal, Agrovila 2, Veredas 2, Tamboril e Ribeirão da Cachoeira. O trabalho nos setores facilita a comunicação e a formação dos leigos.

As comunidades paroquiais conservam ainda hoje traços característicos do movimento das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), lugares de celebração da fé, centrada na Bíblia. As missas nas comunidades acontecem mensalmente, nas menores a cada dois meses. Quando não há celebração da missa, as pessoas se reúnem para as celebrações da Palavra (Culto dominical), Grupos de Reflexão (Círculos Bíblicos), novenas e festas dos padroeiros das comunidades, além da novena de natal. Uma característica marcante nas comunidades rurais da região é a ausência dos homens por um grande período no ano, já que os mesmos viajam para o corte de cana, café e laranja, deixando as mulheres e os filhos, e buscando melhores condições de vida, uma vez que aqui não conseguem trabalho. As mulheres são conhecidas como viúvas de maridos vivos. Elas cuidam dos filhos, lavoura, gados, sozinhas por todo o período de ausência dos maridos.

A tradicional festa do padroeiro São Sebastião comemorada no dia 20 de janeiro é um momento de forte de evangelização e confraternização da paróquia. A programação da festa sempre diversificada com novenas, missas, leilões, procissões, levantamento do mastro e show pirotécnico. As procissões, leilão e mastro são animados pela banda “Filarmônica Nosso Sonho” composta por adolescentes e jovens da cidade.

A Festa de Nossa Senhora da Conceição é o principal evento do município, e é realizada no mês de setembro. Uma festa religiosa que já acontece há muitos anos e atrai visitantes de toda a região. Em sua programação, acontecem novenas, missas, coroação, leilões, levantamento do mastro, procissões, além de shows musicais com artistas, em praça pública, no centro da cidade. A festa de Nossa Senhora da Conceição é um grande momento para a paróquia e todo o município de Jenipapo de Minas. Todos aguardam ansiosos a chegada dessa festa que fortalece a fé e proporciona alegria, diversão e confraternização.

Ainda no mês de setembro, celebramos a festa de São Vicente de Paulo, com tríduo, procissão, missa, mastro, leilão e, no encerramento, uma confraternização comunitária. As solenidades religiosas são sempre preparadas e realizadas com zelo e entusiasmo por todos os paroquianos.

Os leigos participam ativamente na paróquia através de pastorais (ação da Igreja Católica no mundo ou o conjunto de atividades pelas quais a Igreja realiza a sua missão, que consiste primariamente em continuar a ação de Jesus Cristo), movimentos (embora atuem nas paróquias, geralmente são regidos por estatutos próprios e possuem coordenações nacionais e internacionais) e equipes de serviços ( trabalhos que visam oferecer uma assistência religiosa, espiritual, formativa ou social diante das necessidades de pessoas ou grupos), que estão sempre à frente de diversas atividades, buscando sempre o protagonismo dos leigos. As pastorais, movimentos e serviços da nossa paróquia: Conselho Pastoral Paroquial – CPP, Conselho Paroquial Econômico, Catequese, Coroinhas, Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, Grupo de Oração: Frutos no Espírito – RCC, Sociedade São Vicente de Paulo, Apostolado da Oração, Mãos Ensanguentadas de Jesus, Terço dos Homens, Mães que oram pelos filhos, Pastoral do Dízimo, Pastoral da Criança, Pastoral do Batismo, Grupo Consciência Negra, Juventude Mariana Vicentina, Equipe do Cuidado/Limpeza da Igreja, Equipe de Liturgia, Equipe de Cantos, Grupos de Reflexão/Círculos Bíblicos.

As Pastorais Sociais aqui representadas pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) e Pastoral do Migrante, atuam na paróquia através da equipe diocesana e regional. O Serviço Pastoral do Migrante vem prestando relevante atenção e acolhida aos migrantes, refugiados vindos de qualquer região independente de cor, raça ou credo. O núcleo tem realizado principalmente o acompanhamento aos migrantes temporários e suas famílias, promovendo visitas missionárias populares, onde são feitas reflexões bíblicas para alicerçar a discussão dos problemas sociais que envolvem os migrantes e famílias, tendo como um dos seus principais eixos o combate ao trabalho escravo e a migração forçada. O trabalho da CPT e Pastoral do Migrante com a comunidade quilombola de Lagoa Grande teve uma grande participação do Padre Paulo José, CM, no período em que aqui residiu.

A Província Brasileira da Congregação da Missão, desde a sua chegada na paróquia é sempre parceira das entidades locais através dos projetos sociais, visando a melhoria da qualidade de vida da população. O Projeto CPF – Construindo e Preparando o Futuro – foi um deles. Realizado em parceria com a prefeitura local, através da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, entre os anos de 2008 e 2012, o projeto visou a capacitação de educadores, crianças, jovens e lideranças comunitárias. Despertando o protagonismo, a valorização da cultura e saberes locais, tornou-se ainda mais evidente a íntima ligação entre evangelização, formação da consciência crítica e a promoção humana integral, como fez e recomendou São Vicente de Paulo.

A Província Brasileira da Congregação da Missão, por intermédio dos padres que aqui moraram apoiou a AJENAI (Associação Jenipapense de Assistência a Infância) com o projeto Fortalecimento de Vínculos. Por meio desse projeto, contribuindo para impulsionar e fortalecer ações que se desdobraram e hoje temos consolidado: Coral Ribeirão de Areia I (contribuiu inclusive com a gravação do primeiro CD). Bordadeiras do Curtume (contribuiu para o momento de formação do grupo enquanto espaço de encontro, troca, aprendizagem umas com as outras, construção do sentimento de pertencimento ao seu lugar, a valorização dos saberes e a descoberta dos talentos). Hoje o grupo está com geração de renda, espalhando seus talentos pelo mundo. Além dos citados também surgiram Intercâmbio da saúde, Mostra Cultural, Grupo de Dança e Trupe de Circo.

Entre os anos de 2013 e 2018 os padres da Congregação da missão deixaram de atender a paróquia de Jenipapo de Minas, os trabalhos desenvolvidos com as comunidades, os vínculos criados, o jeito Vicentino de ser e evangelizar, mas continuaram sendo vividos e lembrados por todos da paróquia, uma mistura de saudade e gratidão. No ano de 2019 o Bispo diocesano Dom Marcello Romano pediu ao Visitador Provincial Padre Geraldo Eustáquio Mól Santos, CM, para que a Congregação voltasse a assumir a paróquia de Jenipapo de Minas.

Com um ano de trabalho, já é notável o quanto caminhamos, recuperando a alegria de ser Igreja, o sentimento de pertença das comunidades e pessoas. O carinho e acolhimento na paróquia, o ardor missionário de São Vicente. Uma Palavra da Escritura deu sentido para sua missão tão atual nos dias de hoje: “O Senhor me enviou para evangelizar os pobres” (cf. Lc 4,18).

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