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Quaresma e Reconciliação: caminho de conversão e renovação da vocação vicentina 31 de Março de 2026 A experiência da graça de Deus reacende o carisma vicentino e impulsiona a missão junto aos pobres Pe. Vandeir Barbosa de Oliveira, CM
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Em meio à sobriedade penitencial do caminho quaresmal, a liturgia da Igreja nos anima e convida a perseverar nesta estrada que sobe ao monte santo da Páscoa, permitindo-nos entrever e experimentar a alegria (Domingo Laetare, Sacramento da Reconciliação etc.) para a qual nos conduzem os exercícios da Quaresma.

Para os batizados, participar do Sacramento da Reconciliação, como penitentes — inclusive nós, padres e religiosos leigos consagrados — é renovar a graça da própria vocação. É deixar-se revitalizar no seguimento comunitário de Cristo, Evangelizador dos pobres (cf. Lc 4,16s), e no amor à Igreja, como se deu com S. Vicente de Paulo. O Sacramento da Reconciliação é como esse “raio X” que mostra, à luz da Palavra de Deus, a qualidade de nossa vida interior; ali acontece o perdão dos pecados do penitente arrependido, o retorno à comunhão, e uma graça peculiar lhe é dada como proteção e defesa contra o pecado, para que cresça no amor.

A Reconciliação pessoal e comunitária repõe o amor do Espírito Santo derramado em nossos corações, tornando-nos mais aptos a viver a fé, a esperança e a praticar a caridade; e, como o amor engendra amor, uma vez dado o primeiro passo, o fascinante é que o segundo se torna mais fácil e nos encoraja a perseverar na boa direção, apesar de nossos corações, do mundo, de nossas Comunidades Religiosas e de nossas famílias ainda serem atravessados por conflitos e tensões.

A Reconciliação pessoal e comunitária, sobretudo durante a Quaresma, toca e renova em nós o “primeiro amor”, esse lugar de encontro singular com o Senhor, sem mérito de nossa parte, ao qual respondemos com amor, liberdade e generosidade. Essa renovação/conversão age, portanto, na direção de nossa vocação e missão vicentina, firmando-nos nesse norte, religando-nos às nossas origens fontais, interpelando-nos a rever e fortalecer os vínculos de pertença vicentina (e a soltar de vez os falsos vínculos que podem nos tornar “mundanos” e que, à primeira vista, parecem muito atrativos), a abraçar com maior fidelidade as referências imediatas, seguras e específicas da Congregação da Missão.

Entre estas, somos convidados a abraçar, com renovado amor, as virtudes vicentinas — simplicidade, humildade, mansidão, mortificação e zelo apostólico —, pois elas nos conferem um rosto próprio na Igreja e constituem a profundidade da alma do missionário e da Congregação, uma vez que nos levam a viver um estilo de vida fraterna e missionária marcante, perceptível e reconhecido pelas pessoas. Outra referência imediata, segura e própria da Congregação da Missão são os votos, notadamente o voto de estabilidade: os votos são um dom de Deus e fundamento de nossa vida espiritual, e seu objetivo é sustentar nossa vocação de evangelizar os pobres, de colaborar na formação do clero e dos fiéis cristãos leigos, para que todos participem mais plenamente do serviço aos pobres (cf. Constituições da CM, n. 28).

Recebemos, com alegria, a visita do Assistente Geral à nossa Província (de 30 de janeiro a 27 de fevereiro), Pe. Abdo Eid, enviado do Padre Superior Geral, Tomaz Mavric. Esse tempo forte da graça de Deus concedido à nossa Província, e a todos os que colaboram conosco na missão, anima-nos vocacionalmente também, pois a visita revitaliza em nós a força e a beleza da vocação vicentina, às vezes despertada novamente, recuperada e fortalecida neste encontro de escuta, olhar diferente vindo de outra cultura, partilha e convivência missionária fraterna no mesmo ideal. E convida-nos a recuperar o gosto de trabalhar todos os dias na própria perfeição, segundo os exercícios e exigências de nossa vocação, para evangelizar melhor e com renovado ardor os nossos irmãos mais pobres.

Que esta imensa graça nos impulsione a construir Comunidades Vicentinas vocacionais, por meio da acolhida, da fraternidade e da alegria, da oração e do serviço comprometido com os necessitados. E que, com maior ousadia, inflame em nós o desejo de apresentar, com mais intensidade, S. Vicente e seu projeto de vida a todos, mormente aos jovens, convencidos de que esse testemunho coerente de vida missionária vicentina tem potencial para ajudar a renovar toda a Igreja missionária.

Dentro do espírito vicentino, continuemos, com criatividade missionária, a dar mais passos no compromisso da promoção e no serviço aos pobres, principalmente por meio do Projeto Aliança da Família Vicentina com os sem-teto (e outros existentes), neste ano de 2026, em sintonia também com a temática da Campanha da Fraternidade: Fraternidade e Moradia — “Ele veio morar entre nós”.

Nos passos de São Vicente de Paulo, sigamos, na alegria, a estrada da Quaresma, itinerário de conversão propício para talhar nosso espírito segundo o carisma e a espiritualidade vicentina, renovando-nos no compromisso de assumir o desafio e a aventura de viver nosso carisma missionário em nossas obras e nos diversos ministérios, em estado de missão e de caridade/comunhão contínuos. E, assim, enriqueceremos, com o dom do carisma e da espiritualidade vicentina, todos os lugares onde trabalhamos e aonde o Senhor se dispuser a nos enviar.

Tenham todos uma abençoada caminhada de Quaresma rumo à Páscoa do Senhor.

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