A vocação é uma dinâmica entre o chamador e o chamado e nesta relação acontece o paradigma da liberdade da pessoa chamada frente à proposta daquele que chama. Ao considerar o chamado de Deus como uma proposta, entendemos que, mesmo que a vocação seja uma iniciativa divina, cabe ao vocacionado decidir se acolhe ou não o dom da vocação dispensado a ele.
A resposta, ainda que negativa, não anula a possibilidade de a pessoa vocacionada seguir o seu caminho, mas o seu chamado é intransferível e, por isso mesmo, a sua vocação estará à espera de uma abertura àquela voz que um dia o chamou. Quanto aos que responderam o seu sim, conscientes da responsabilidade da missão confiada, surge um desafio do qual pouco falamos: o sentido de pertencimento.
A pessoa vocacionada, que decide livremente seguir a Jesus Cristo em uma especial consagração, deve possuir um profundo amor e estima pela própria vocação. Aquele que ama verdadeiramente a sua vocação será capaz de entender que uma das dimensões da vocação é o pertencimento. Pertencimento a que ou a quem? Primeiramente pertencimento ao autor do chamado, o próprio Jesus Cristo, “pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17, 28).
A nossa missão primeira, pelo batismo, é sermos criaturas novas, discípulos do Mestre e colaboradores do seu reinado. O seguimento a Jesus Cristo deve ser a máxima da animação vocacional, pois Ele é, nas palavras de São Vicente de Paulo, a “Regra da Missão” e a “única pretensão do coração”. Assim como o chamado de Deus é gratuito, também a nossa resposta e adesão ao seu projeto de amor deve ser acolhido na gratuidade, sem esperar nada em troca (cf. Mt 19, 27-29).
Dessa forma, entendemos que o primeiro pertencimento é a Jesus Cristo, o chamador por excelência. A pessoa vocacionada é também discípula e, portanto, corresponsável pela construção do Reino, a partir da sua resposta sincera ao chamado de Deus. Quando nos afastamos dessa verdade, corremos o sério risco de cairmos no esvaziamento do sentido do chamado vocacional. Não somos chamados primeiramente para fazer coisas, mas para estar com Ele (cf. Mc 3, 14).
O segundo pertencimento desdobra-se naturalmente do primeiro. Somos membros da grande comunidade cristã, ou seja, da Igreja. A nossa vocação não caminha sozinha, ela se une a milhares de outras pessoas que também responderam o sim à missão. A Igreja é a comunidade dos chamados que depois se tornarão chamadores graças ao testemunho de cada um. “A própria Igreja se define como comunidade de chamados e chamadas, como instrumento de Deus. A Igreja, Povo de Deus, assembleia reunida, tem consciência de ser o lugar onde o apelo de Deus se faz vivo” (OLIVEIRA, 1999, p. 47). A dimensão comunitária da vocação é um forte apelo frente à realidade crescente do individualismo, do comodismo e do narcisismo. Estes “ismos” denotam um entrave nas relações comunitárias e a Igreja age com profetismo ao anunciar que “a comunhão é missionária e a missão é para a comunhão”. (DAp. 163).
Podemos pensar por último, mas não menos importante, o pertencimento à comunidade carismática. Aqueles que ingressam em nossas congregações e institutos foram atraídos de alguma forma pelo carisma e espiritualidade que decorrem daquele santo fundador. Por isso os vocacionados devem se sentir membros, mesmo que juridicamente ainda não sejam, participando ativamente da vida e da história da congregação ou instituto.
O jovem que chega aos nossos seminários já possui outras experiências espirituais e devoções particulares, por vezes herdadas da família ou da comunidade paroquial em que estava inserido. Ao chegar em nossas casas se depara com um outro tipo de vivência espiritual e pastoral, e aqui está um desafio para os formadores: como apresentar a novidade carismática da congregação sem deixar de lado a beleza da espiritualidade e devoção popular de cada um? O sentimento de pertença a uma família religiosa virá com o tempo, mas também com o esforço do vocacionado e da comunidade formativa.
É tarefa do vocacionado se abrir a novidade que se apresenta e ver o carisma e a espiritualidade do fundador como um valor e um tesouro a ser descoberto a cada dia. Além disto, descobrirá que a nova comunidade em que está inserido é a sua família e por isso deve se interessar pelos assuntos e pela dinâmica própria dos membros dessa família. Da parte dos formadores, deverão apresentar ao vocacionado a beleza do carisma e a riqueza que é fazer parte de uma congregação que não se resume somente aquela comunidade local.
Portanto, o sentido de pertença é a chave para uma relação duradoura do vocacionado com a comunidade da qual fará parte. Pertencimento à Jesus Cristo que chama, à Igreja que confirma o chamado e ao Carisma que o acolhe. Nessa relação o vocacionado terá uma base sólida para viver a sua vocação de forma consciente e madura.
do ativamente da vida e da história da congregação ou instituto.
O jovem que chega aos nossos seminários já possui outras experiências espirituais e devoções particulares, por vezes herdadas da família ou da comunidade paroquial em que estava inserido. Ao chegar às nossas casas, depara-se com um outro tipo de vivência espiritual e pastoral, e aqui está um desafio para os formadores: como apresentar a novidade carismática da congregação sem deixar de lado a beleza da espiritualidade e devoção popular de cada um? O sentimento de pertença a uma família religiosa virá com o tempo, mas também com o esforço do vocacionado e da comunidade formativa.
É tarefa do vocacionado se abrir à novidade que se apresenta e ver o carisma e a espiritualidade do fundador como um valor e um tesouro a ser descoberto a cada dia. Além disto, descobrirá que a nova comunidade em que está inserido é a sua família e por isso deve se interessar pelos assuntos e pela dinâmica própria dos membros dessa família. Da parte dos formadores, deverão apresentar ao vocacionado a beleza do carisma e a riqueza que é fazer parte de uma congregação que não se resume somente àquela comunidade local.
Portanto, o sentido de pertença é a chave para uma relação duradoura do vocacionado com a comunidade da qual fará parte. Pertencimento a Jesus Cristo que chama, à Igreja que confirma o chamado e ao Carisma que o acolhe. Nessa relação, o vocacionado terá uma base sólida para viver a sua vocação de forma consciente e madura.