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150 anos de morte de Dom Viçoso 11 de Julho de 2025 Informativo Peregrinação à Cartuxa marcou a celebração à memória do importante missionário Lazarista
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No dia 7 de julho de 2025, por ocasião dos 150 anos do falecimento de Dom Viçoso, houve a peregrinação para a Cartuxa, local em que Viçoso deu seu último suspiro. Saindo da Catedral às 7h30, às 10h, houve Celebração Eucarística, com participação de Pedro Antônio e Vítor Leonardo, conhecidos como “Meninos de Mafra”. D. Edmar José, arcebispo auxiliar de Belo Horizonte, D. Airton José dos Santos, arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Mariana, (na foto: Pe. Gentil, CM, Pe. Sebastião Carvalho, CM, Pe. Cleber Teodósio, CM), outros padres lazaristas e povo de Deus fizeram-se presentes nesta singela homenagem ao 7º bispo de Mariana.

Dom Viçoso era o “Santo Particular” da família do poeta Carlos Drummond de Andrade, que lhe dedicou uma poesia com esse título. Ele nasceu em Portugal e veio para o Brasil a convite de Dom João VI, com o objetivo de ajudar na evangelização do povo. Aqui chegando, fundou colégios, pregou missões, restaurou o prédio e a pedagogia do Seminário de Mariana, além de promover a reforma do clero em Minas Gerais, posteriormente adotada por outras dioceses.

Ao perceber que a escravidão e o analfabetismo persistiam, Dom Viçoso mandou buscar, em Paris, as Filhas da Caridade, conhecidas como Irmãs Vicentinas, para fundarem orfanatos, acolherem meninas que perambulavam pelas ruas e criarem um colégio destinado à educação das jovens. A finalidade era também sustentar os orfanatos. Para Roque Camêllo, era lapidar a justificativa de Dom Viçoso ao convocar as religiosas: “Somente proporcionando às jovens uma educação cristã e cultural, teremos uma sociedade mais civilizada e preparada, para dar à pátria cidadãos completos. Não vos esqueçais de que a mulher, sobretudo a mãe, sempre será a primeira mestra”.

O Conde da Conceição (título que Dom Viçoso recebeu do Imperador Dom Pedro II) foi o maior benfeitor de Mariana e do nosso estado. Faleceu pobre, em 7 de julho de 1875, na Chácara da Cartuxa, já com fama de santidade e amplamente reconhecido como o “Santo de Minas”.

Seu processo de beatificação, iniciado por seu biógrafo, o primeiro arcebispo mineiro Dom Silvério Gomes Pimenta, ficou estagnado por mais de sessenta anos, até ser retomado por Dom Oscar de Oliveira. Posteriormente, foi Dom Francisco Barroso Filho, então bispo nomeado de Oliveira-MG, quem levou a documentação ao Vaticano, em 1984.

Seu legado ultrapassa as fronteiras eclesiásticas: é reconhecido por estudiosos da história, da filologia, da literatura e da educação; foi tema de obras literárias e estudos acadêmicos; e sua importância é reconhecida pelo Vaticano, estando atualmente em curso seu processo de beatificação, já tendo recebido o título de Venerável de Deus. Aguardar-se a comprovação científica de mais milagres por intercessão do Venerável Dom Viçoso para dar o próximo passo no processo de canonização, que será a beatificação.

Há muitos anos, Dona Efigênia Sacramento lidera um grupo de fiéis em peregrinação, da porta da Catedral até a Cartuxa, em oração, para participarem da Santa Missa. A caminhada ocorre todo dia 13 de cada mês, dia de nascimento de Dom Viçoso, que veio ao mundo em Peniche, no dia 13 de maio de 1787. Este ano, a peregrinação foi no domingo, dia 7 de julho.

Na ocasião, Pedro Antônio e Vítor Leonardo, conhecidos como “Meninos de Mafra”, estiveram na Cartuxa, para interpretar o Hino a Dom Viçoso. A mãe deles, Juliana Kuss, entoou o Salmo. Os irmãos Pedro Antônio e Vítor Leonardo fazem refletir a riqueza da música nascida da fé e da tradição, em um percurso que remete às histórias de Roque Camêllo e Dom Viçoso.

Assim como Roque, que acreditava no poder transformador das artes e defendia a música como expressão de valores e identidade, os “Meninos de Mafra” encantam por unir talento e espiritualidade, revelando que o canto que nasce do interior pode alcançar corações por todo o país, com a mesma simplicidade e força que marcaram o legado de Dom Viçoso, cuja fé também se manifestava em gestos culturais e educativos.

* Matéria publicada originalmente no Informativo São Vicente N. 331, texto de Merania Oliveira.

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