A Província Brasileira da Congregação da Missão comunica, com pesar, que nesta terça-feira, 14 de outubro de 2025, na Comunidade da Casa Dom Viçoso, em Belo Horizonte-MG, o Pe. Sebastião Mendes Gonçalves, CM, terminou a sua peregrinação na terra, aos 92 anos de idade, e partiu para a Missão na Casa do Pai.
O corpo encontra-se na Capela Dom Viçoso a ser velado, a partir das 17h. O funeral será na quarta-feira, 15 de outubro, com missa exequial às 9h, na Capela Dom Viçoso, indo depois para sepultamento no Cemitério Bonfim, em Belo Horizonte-MG.
A PBCM e sua família unem-se agora em oração e agradecem a Deus pelo seu ministério sacerdotal vicentino e pelo dom de sua vida doada no seguimento de Cristo, Evangelizador dos Pobres, na Congregação, a serviço da Igreja. Que ele descanse em Paz.
Padre Sebastião Mendes Gonçalves, CM
∗16/01/1933 - †14/10/2025
Sebastião Mendes Gonçalves nasceu na cidade de Campina Verde-MG, no dia 16 de janeiro de 1933, sendo filho de Pedro Moreira Gonçalves e Luiza Mendes da Silva. Três meses depois, foi batizado em Campo Belo, no dia 8 de abril de 1933.
Ingressou no Seminário da Congregação na cidade de Irati-PR, em janeiro de 1946. Prosseguiu seus estudos no Caraça-MG e em Petrópolis-RJ onde cursou filosofia e teologia e também fez o Seminário Interno. Emitiu os votos perpétuos na Congregação da Missão dia 25 de janeiro de 1958, em Petrópolis. No dia 27 de setembro de 1960 foi ordenado sacerdote, na cidade de Campina Verde, por Dom Alexandre Gonçalves do Amaral.
Entre suas colocações, em 1961 foi enviado para o Caraça na função de Disciplinário; em 1962, foi Professor no Colégio de Irati, e em 1963, também Disciplinário, no Seminário de Fortaleza-CE. Em 1964 trabalhou em Campina Verde como Professor e Vigário Paroquial. No ano de 1970 foi enviado ao Rio de Janeiro para estudos, fazendo o Curso do ISPAC.
Em 1972, sabendo que o Provincial, Pe. José Elias Chaves, estava à procura de um coirmão que pudesse trabalhar na restauração do Caraça, o Pe. Mendes pôs-se à disposição e lá trabalhou durante cinco anos, dedicando-se intensamente a esta obra para viabilizar muitas melhorias no local diante dos desafios enfrentados. Auxiliado pelo Irmão Nilo Neto e D. Maria Nogueira, trabalhou heroicamente para tornar a Casa mais adequada à sua finalidade, tornando-a limpa e habitável, também suprindo a deficiência de conforto material pela atenção constante para com os hóspedes e turistas.
Em 1977, eram as Fazendas de Campina Verde que precisavam de um bom administrador. O Pe. Sebastião Mendes aceitou o convite do Provincial e organizou admiravelmente as três Fazendas, otimizando a administração das mesmas, tornando-as capazes de oferecer auxílio às Missões e a outras atividades da PBCM, somando forças nisto com o Colégio São Vicente do Rio. Nesta época, junto com o Pe. José Tobias Joaquim Zico,CM, realizou dois grandes melhoramentos, feitos com muita economia e sacrifício: a comunicação com o Seminário do Trevo, em Belo Horizonte, por meio da rádio-motorola e a presença de um caminhão Ford 350 prestando grandes serviços que continuaram por mais de 25 anos.
Em 1989, Pe. James Richardson, numa Carta Circular, apelava pela generosidade de algum brasileiro para substituir os Lazaristas portugueses em Moçambique. Assim, em 8 de agosto de 1988, Pe. Sebastião escreveu carta ao Provincial: “se me permitirem, candidato-me para a Missão de Moçambique.... e, para certificar de que esta minha resolução é obra do Espirito Santo, quero o parecer do Senhor e do seu Conselho”.
Seu pedido para ser enviado em Missão Ad Gentes foi aprovado por unanimidade. Em seguida, Pe. Sebastião Mendes foi para Santa Vitória despedir-se dos parentes e dos pais idosos. Passou por Campina Verde onde havia trabalhado por 12 anos e despediu-se do povo na missa de domingo.
No dia 19 de fevereiro de 1989, já em solo de Moçambique, presidiu à Celebração Eucarística e toda a Assembleia ouviu, com olhos fixos e sem perder uma palavra, sua bela mensagem, pronunciada em sotaque brasileiro, tão compreensível ao povo Moçambicano. Aqui recolhemos um trecho de sua fala no seu encontro com este povo:
"Meus irmãos, eu me alegro imensamente por estar no meio de vós. Neste momento, fico pensando nas comunidades de minha terra. Hoje, por exemplo, 3° domingo do mês, seria o dia em que iria, na parte da tarde, a umas comunidades...Prometi trazer hoje algumas hóstias que trouxe de lá para misturar com as hóstias desta comunidade a fim de que nossas comunidades do Brasil e de Moçambique formem uma só Igreja. É com alegria que faço isto. Tenho certeza de que o povo de minha terra está rezando por mim, porque eu disse a eles: ‘Vou para Moçambique, mas não quero ir sozinho: quero que meu povo me acompanhe’. O povo de minha Paróquia é também povo da Igreja de Moçambique. Somos uma comunidade só, uma Igreja só no mundo todo, porque é o Cristo que nos une. E ao consagrar estas hóstias de Moçambique e do Brasil, estamos pedindo ao Cristo que faça de nós todos uma Igreja Santa, uma Igreja unida, católica, isto é, uma Igreja que caminha para ser só um mundo. E nós somos Igreja. Esta criança que está aqui é Igreja; as pessoas idosas são Igreja. Vamos viver esta realidade, esta alegria, esta festa. Vamos, nesta Eucaristia, louvar a Deus por tudo isto”.
Pe. Sebastião participou ativamente das alegrias e problemas do povo, da pobreza, das angustias e das perseguições.
Certa vez, num domingo, ao se dirigir com duas religiosas para uma Capela, foi vítima de um atentado terrorista. Uma bomba estourou debaixo de seu Jeep; uma religiosa faleceu, outra ficou gravemente ferida e ele ficou com grandes cicatrizes nas pernas. No dia seguinte foi levado para o hospital de Johanesburgo, de onde veio para dois meses de férias no Brasil. Recuperado de certa forma, voltou a Moçambique e ocupou vários cargos servindo à Congregação. Entre eles, como Conselheiro e Diretor das Filhas da Caridade, com residência na Capital Maputo - Moçambique.
Em 2013, voltou definitivamente para o Brasil, e trabalhou como Vigário Paroquial em Carinhanha-BA. Em 2014, voltou para Campina Verde como vigário paroquial. Em 2015, seguiu para a Comunidade da Casa Dom Viçoso, na cidade de Belo Horizonte-MG, para cuidar da sua saúde. Nesta Casa permaneceu até seus últimos dias fiel na caminhada missionária vicentina e na oração, foi onde veio a falecer, na madrugada do dia 14 de outubro de 2025.